
Tratamento experimental reacende esperança de paciente paraplégico no Paraná
Após aplicação de polilaminina, homem inicia processo de reabilitação com equipe multidisciplinar em hospital de Curitiba.
06/03/2026por Portal do RomeuDois dias após receber a aplicação da substância experimental polilaminina, João Luiz Miqueline, de 70 anos, começou o processo de reabilitação em Curitiba. Morador de Colombo, na Região Metropolitana, ele iniciou nesta quinta-feira (5) o tratamento no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR).
Neste primeiro momento, João Luiz permanece internado e recebe atendimento de uma equipe multidisciplinar, com fisioterapia e acompanhamento humanizado para auxiliar no processo de recuperação.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a estrutura do hospital busca oferecer um cuidado completo ao paciente.
“O Hospital de Reabilitação oferece um atendimento integral, não apenas na fisioterapia, mas em todo o processo de recuperação, o que é fundamental para alcançar melhores resultados”, afirmou.
De acordo com o médico ortopedista Bruno Bodanese, gerente técnico da unidade, o plano inicial é manter João Luiz em reabilitação intensiva por cerca de duas semanas. Durante esse período, ele terá acompanhamento de diferentes profissionais da saúde.
“A equipe envolve fisioterapia motora, fisioterapia pélvica, hidroterapia, terapia ocupacional, nutrição e psicologia. Após a alta, ele continuará retornando diariamente para dar sequência à reabilitação”, explicou.
Como João Luiz é o primeiro paciente do CHR a receber a aplicação da polilaminina, os profissionais ainda estão estruturando o protocolo de atendimento específico para o caso.
“Estamos diante de uma situação nova. Ainda não existe um protocolo definido, mas vamos construir esse processo com base na experiência e nos serviços que já oferecemos aqui no hospital”, acrescentou Bodanese.
Acidente mudou a rotina
A lesão na medula de João Luiz ocorreu em dezembro do ano passado, após um acidente doméstico. Ele caiu de uma altura de aproximadamente três metros.
“Quando eu bati no chão, já não senti mais minhas pernas. Mas tenho muita esperança de voltar a andar”, contou, emocionado.
Desde o início do tratamento, ele está acompanhado de perto pela família. Na primeira sessão de fisioterapia, chamou a atenção da equipe pela determinação: conseguiu ficar em pé com auxílio de barras de apoio.
“O médico me disse que, sem fisioterapia, a aplicação da polilaminina não adiantaria. Sou muito grato a todos os profissionais que estão me dando essa oportunidade. Agora é fazer a minha parte e me esforçar ao máximo”, disse.
O que é a polilaminina
A polilaminina é um composto experimental desenvolvido no Brasil, derivado da laminina, uma proteína presente na placenta. A substância foi criada para ajudar na regeneração de nervos após lesões na medula espinhal.
Na prática, ela atua como uma espécie de “andaime biológico”, que pode facilitar o crescimento e a reconexão dos neurônios.
O tratamento ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo. Mesmo assim, os estudos têm despertado esperança para pessoas com paraplegia e tetraplegia.
Pesquisa ganha apoio no Paraná
Nesta semana, pesquisadores que participam do desenvolvimento da polilaminina apresentaram o projeto ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
Participaram da reunião o neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf, responsável pela aplicação da substância em João Luiz, além da bióloga e pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que lidera os estudos.
Também participou, de forma virtual, o vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Laboratório Cristália, Rogério Almeida, responsável pela produção do composto.
Durante o encontro, o governador afirmou que o Estado pode apoiar o avanço das pesquisas, principalmente na logística para transporte do medicamento e de pacientes, dentro da janela ideal de 72 horas após a lesão.
“Colocamos toda a rede de saúde do Estado à disposição para colaborar, desde o transporte até o treinamento de médicos que possam aplicar o tratamento”, afirmou.
Segundo ele, a pesquisa representa um avanço importante para a ciência.
“É um medicamento que pode mudar a vida de muitas pessoas e foi descoberto por uma pesquisadora brasileira, com participação de profissionais do Paraná”, destacou.




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