
Associação Paranaense de Psiquiatria alerta para mudanças no cenário mundial das drogas
Psiquiatra Alessandra Diehl analisa os principais alertas do World Drug Report 2026, que aponta novas ameaças à saúde pública e às políticas de prevenção.
17/07/2026por Portal do RomeuO World Drug Report 2026, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), revela que o mundo vive uma transformação no mercado de drogas ilícitas. Mais do que apontar o aumento do consumo, o documento chama atenção para o crescimento das drogas sintéticas, a reorganização do tráfico internacional e as dificuldades de acesso ao tratamento.
Para a psiquiatra Alessandra Diehl, da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPsiq), o principal alerta do relatório é que a maior crise não está apenas no consumo, mas na assistência às pessoas com transtornos relacionados ao uso de drogas.
"Hoje, apenas uma em cada 12 pessoas consegue acessar tratamento. O desafio não é apenas ampliar a oferta de serviços, mas integrar a rede de saúde para garantir atendimento contínuo e de qualidade", afirma.
Segundo a especialista, o relatório mostra que o mercado mundial está migrando das drogas de origem vegetal para as sintéticas, que são mais fáceis e baratas de produzir, além de não dependerem de safras agrícolas. A tendência já começa a ser observada no Brasil, com o aumento da circulação de metanfetamina, novas substâncias psicoativas, cetamina ilícita, opioides sintéticos e misturas comercializadas como "tucibi".
Outro ponto de atenção é o crescimento dos opioides sintéticos. De acordo com o documento, a redução da produção de ópio no Afeganistão pode acelerar a substituição da heroína por substâncias extremamente potentes, como nitazenos e derivados do fentanil.
Embora o Brasil ainda não enfrente uma epidemia semelhante à registrada nos Estados Unidos, o relatório informa que nitazenos já foram identificados em apreensões realizadas no país.
"O momento é de fortalecer a vigilância epidemiológica e preparar os serviços de saúde, sem alarmismo, mas com planejamento", ressalta Alessandra Diehl.
O relatório também mostra que o consumo simultâneo de diferentes drogas, conhecido como poliuso, tornou-se cada vez mais comum, tornando o atendimento clínico mais complexo. Além disso, destaca o uso crescente de tecnologias, como redes sociais, criptomercados e aplicativos, pelo crime organizado para ampliar a distribuição de drogas.
Outro dado que chama atenção é que a produção mundial de cocaína atingiu níveis recordes e a droga vem se expandindo para novos mercados. Na Europa, por exemplo, cresce a demanda por tratamento, aumenta a pureza da cocaína e há registros de expansão do consumo de crack.
Para a psiquiatra, o documento deve servir como instrumento de planejamento para governos e gestores públicos.
"O relatório oferece um panorama das tendências que podem chegar ao Brasil. Fortalecer políticas públicas baseadas em evidências, ampliar o acesso ao tratamento e integrar a rede de cuidados são medidas fundamentais para enfrentar esse cenário", conclui.
Com isso, a atualização dos profissionais torna-se cada vez mais necessária. A XVII Jornada Paranaense de Psiquiatria, promovida pela Associação Paranaense de Psiquiatria (APPsiq), reunirá especialistas para apresentar os mais recentes avanços científicos e abordagens clínicas atuais em psiquiatria, contribuindo para o aprimoramento do diagnóstico, do tratamento e do cuidado em saúde mental.




Carta do Sudoeste 2026 já está em exposição na Amsop
3º BPM realiza solenidade em comemoração aos 172 anos da Polícia Militar do Paraná
UNIMATER promove palestras com profissionais que atuaram em casos de grande repercussão nacional
LIGA NACIONALApós terminar entre os seis melhores, Pato Futsal inicia caminhada decisiva rumo ao título da LNF